Liberte-se das roupas - Artigos II - Associação Pensamentos ao Vento

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Liberte-se da roupa
“Limitações são fronteiras criadas apenas pela nossa mente.”  Provérbio Chinês

Quando falo com algumas pessoas acerca da nudez social, muitas respondem que nunca vão perder a sua inibição em remover por completo as roupas que a sociedade lhes ensinou a usar. Porque não se sentem confortáveis na sua nudez, porque estão limitados na sua vergonha, porque não é higiénico.
Isto faz-me lembrar a história do elefante preso a uma estaca. Como pode uma pequena estaca de madeira segurar um elefante capaz de derrubar árvores? O poderoso elefante não se solta porque foi preso à estaca quando ainda não tinha força para a arrancar.
A esmagadora maioria de nós, desde sempre foi ensinada que a nudez é imoral, que a roupa é confortável, que não podemos nunca estar sem certas peças de vestuário e que não é higiénico estar sem roupas.
Imoral é sermos limitados por crenças que não nos pertencem e das quais não nos tentamos libertar quando já sabemos pensar por nós mesmos. Tal como o elefante se cansou de tentar quando era pequeno e agora tem consciência que a estaca sempre o impedirá.
A roupa é confortável quando está frio, quando é usada como proteção, quando já conhecemos a liberdade de não a usar. De resto, é como a corrente que prende o elefante à estaca. Apesar de se poder libertar, não vai voltar a puxar porque quando tentou não conseguiu.
O nosso corpo não possui partes mais nobres que outras que não possam ser vistas por outros. O problema é que o nosso corpo tem partes cobiçadas por outros. Os mesmos que acorrentaram o elefante à estaca, porque dele se querem servir, escravizando-o.
Como pode ser mais higiénico manter os fluídos, que naturalmente evaporariam, junto ao corpo durante grande parte do dia? Acumulados nos tecidos, esses fluídos causam odores e promovem a proliferação de bactérias. O elefante liberto será sempre mais saudável do que acorrentado.
O elefante, apesar de não se libertar, tem a força para se soltar da estaca. Para ele usar essa força vai ter de ter a sua vida em risco, para que num impulso se solte. Também muitos de nós possuímos a força e o potencial para nos libertarmos do jugo da roupa e da sociedade, mas continuamos presos à estaca.
Não espere que o seu circo pegue fogo. Liberte-se.

Artigo de opinião por José Luís Vieira, em 14/06/2019
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