Naturismo - Eu experimentei por ti
Durante a nossa reunião editorial semanal, a minha editora-chefe sugeriu que escrevesse sobre o Dia Mundial do Naturismo, que foi a 5 de junho de 2017. Ela sabe da minha inclinação para temas leves!
Onde perdi o controlo da situação foi quando ela disse: "Seria bom se escrevesse ao estilo 'Eu experimentei para vocês'". Um silêncio abateu-se sobre a sala com todos os meus colegas jornalistas, transformando-se rapidamente numa enxurrada de perguntas mais ou menos absurdas. "Vais mesmo ficar nua?" "E onde vais colocar o teu telemóvel?"
(Na minha cabeça) "Ficar nua à frente de estranhos? Nem pensar!"
Na realidade (afinal, ela é minha chefe): "Ok, boa ideia, vai ser uma experiência nova..." ... hilariante!
DEPILAÇÃO
Para uma novata como eu no Naturismo, a primeira pergunta que me ocorre é: como remover os pelos do meu "Monte de Vénus"?
Depois de várias dicas mais ou menos úteis de pessoas que me rodeiam, optei por uma solução que não fosse muito exagerada. O objetivo não era avançar completamente exposta.
CONSELHO FAMILIAR
Depois de convencer a minha pequena família (não sem dificuldade) dos benefícios de um fim de semana à beira-mar, em bungalows sem eletricidade e, principalmente, sem Wi-Fi (cada um tem as suas prioridades), com a ajuda de um argumento final (sim, eu sei que mentir não é simpático): "É importante para o trabalho da mãe, senão vou estar na fila, toda arranjada, mas no gabinete do desemprego!", lá fomos nós.
CHEGADA A TERRITÓRIO DESCONHECIDO
Após seis horas de viagem e uma última rebelião das crianças em pleno modo "Não vou sair do carro", encontro-me em frente ao "Centre Héliomarin de Montalivet" (CHM), um famoso acampamento naturista fundado na região da Gironda em 1950.
Ufa, nenhum naturista à vista. Toda a gente ainda está de calças!
Depois de entregar os nossos documentos e assinar a carta naturista, ou "o guia para viver nu", consigo finalmente o Santo Graal: identificadores personalizados com a nossa foto tirada no momento, tipo acabei de passar seis horas no carro, pareço uma viciada.
Sem cartões de identificação, não há como circular pelo acampamento. "É para impedir a entrada de intrusos e voyeurs", dizem-me.
A rececionista sugere-me que compre cordões para prender os nossos identificadores (bem, para quê? Eu tenho bolsos e, além disso, custam 5 euros cada cordão...). Nesse momento, a minha filha de 6 anos puxou-me pela alça da mala: "Mamã, o homem ao meu lado está completamente nu!". Com o famoso cordão à volta do pescoço…
UM PASSEIO PELO LOCAL
Uma imensa floresta de pinheiros estende-se por 175 hectares, pontilhada por encantadores bungalows de madeira de todas as cores.
O ar é perfumado com eucalipto, e começo a apreciar os benefícios da natureza. Por um momento consigo imaginar-me como Eva, sem a folha de figueira.
Os carros são fortemente desencorajados no acampamento, e todos se deslocam de bicicleta. O único pormenor que nunca deixa de me incomodar cada vez que um ciclista passa por mim é o seu rabo nu, a balançar no selim, que só consigo vislumbrar por último. Por vezes a realidade é brutal. Estou mesmo num acampamento naturista! E ainda não estou em pelo.
COMPRAS NO SUPERMERCADO
Equipada com a minha bicicleta e um páreo, sigo em direção ao Spar localizado no centro nevrálgico do acampamento.
Pode ser possível viver nu, mas a água potável ainda está fora de questão.
Ali, misturam-se pessoas vestidas de acordo com o clima e naturistas. Tenho de fazer ziguezagues entre corredores de tomates, courgettes e… pares de nádegas.
Algo me surpreende, porém, para além do homem à minha frente, ocupado a apanhar um melão que acabou de derrubar: as pessoas estão a sorrir. Parecem tranquilas. Ninguém está a importunar o caixa. Será que andar nu proporciona realmente uma sensação de bem-estar?
A PRAIA
Aparentemente, não há como voltar atrás agora. A jornalista de investigação em que me tornei desde o início do fim de semana (a pensar pedir um aumento por esta mudança repentina de estatuto) vai ter de se despir!
Assim, tiro o soutien, mas continuo a usar o páreo como capa de proteção.
É aí que um rapaz, acabado de sair da série "Marés Vivas", me pede para tirar também a parte de baixo.
E assim começa a minha "caminhada da vergonha" até chegar à praia.
Com o páreo na mão, sigo em frente, olhando para os meus dedos dos pés, desejando poder tornar-me magicamente invisível.
Ao chegar à praia, sou atraída por um estrondo profundo. Ondas de poder colossal quebram violentamente contra a costa. A paisagem é lunar; e não, não me refiro às centenas de rabos nus espalhados à minha frente!
Algo me volta a surpreender: estou nua como uma minhoca, mas os naturistas que se cruzam comigo não me olham de alto a baixo. Os seus olhares não são lascivos, mas sim gentis (bem, também não consigo evitar olhar um pouco, sou uma novata).
Deixo-me envolver por uma sensação de tranquilidade, rapidamente reforçada por um mergulho no oceano.
É realmente uma alegria sair da água sem um fato de banho molhado colado à pele.
HORA DOS ENCONTROS
Sentada na minha toalha com as pernas cruzadas, escondendo tudo o que pudesse aparecer, folheio a revista Elle desta semana. De repente, ouço uma voz por cima de mim: "Ei, oi, o que estás aqui a fazer?". Paro a leitura e levanto o queixo na direção da pessoa que me chamou. Ah, não... socorro…, preciso de olhar para cima para ver quem é! Um colega vago do escritório. E, como a vida às vezes corre de forma agradável, por sorte, convida-me a continuar sentada, porque, como diz Nadine de Rothschild, uma mulher não se levanta com a presença de um homem. Obrigado, Nadine.
HIDROGINÁSTICA
No final do dia, decidi participar na aula de hidroginástica.
Na piscina, tenho de tirar o fato de banho assim que entro (um pouco como se numa piscina pública tivesse de me despir ainda na rua). Nem um pouco assustada; não era a primeira vez. Deambular de o rabo ao léu já se tornou quase um hábito, para mim (preciso de me lembrar de usar cuecas na segunda-feira, quando for para o escritório).
Mas senti-me um pouco sozinha quando precisei de encontrar o meu cantinho na piscina apinhada de gente igualmente nua.
Philou, o instrutor de hidroginástica, entrou em cena. Ele é alto! Meu Deus, enorme!
Durante mais de uma hora, guiou-me pelos exercícios na borda da piscina, não deixando espaço para mistério para mim em relação à sua anatomia.
CONCLUSÃO
Se tivesse de reter qualquer coisa desta aventura, seria a de que o Naturismo não rima com erotismo. É uma verdadeira filosofia de vida, em contacto com a natureza, muito distante das ideias preconcebidas que eu pudesse ter.
E se tivesse de concluir sobre um único ponto, seria que finalmente aceitei o meu corpo tal como ele é, em completa liberdade, com as suas imperfeições e as suas qualidades (não me esquecer de agradecer à editora-chefe!).
Traduzido e adaptado por José Luís Vieira a partir do original de Géraldine Sébire para a revista ELLE, França. 2023, https://www.elle.fr/Minceur/Bien-etre-relaxation/Le-naturisme-j-ai-teste-pour-vous-3490562, em 09-06-2026.
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