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Mal podia esperar para contar aos meus amigos - Artigos III - Associação Naturista Pensamentos ao Vento

Mal podia esperar para contar aos meus amigos
O relato de quem experimentou o Naturismo uma vez e não conseguia esconder a sua alegria. Um artigo original do site da British Naturism aqui traduzido e colocado na terceira pessoa.
Aneta e o seu marido abandonavam o clube naturista e surpreendeu-se por se sentir triste quando o portão se fechou atrás de si. Afinal, tinha sido apenas uma experiência, algo novo a tentar e explorar. Na viagem de volta a casa, ela e o marido trocaram olhares frequentemente e os seus sorrisos não podiam ser mais abertos. Questionavam-se se realmente tinham acabado de fazer aquilo. Sim, foi um pouco assustador no início, mas tinham-no feito e ficaram viciados. O Naturismo havia-os encontrado.
O que os teria levado a decidir a ir a um clube naturista? O marido de Aneta estava a ver um programa de televisão sobre o tema e sugeriu que ela poderia estar interessada em vê-lo. Ela foi ver e, depois, ele perguntou-lhe se por acaso queria experimentar. Pensou no assunto e chegou à conclusão que sim; experimentar algo novo que nunca haviam experimentado antes, talvez um bronzeado integral, mas acima de tudo a hipótese de se sentir una com a Natureza e a possibilidade de perder a vergonha de estar despida, instilada por duas gerações de mulheres. Ela precisava de saber se o conseguiria fazer. E sim, conseguia.
O próximo passo? Contar às pessoas.
Mal podia esperar. Ainda estava animada da sua estadia no clube quando as amigas a visitaram no fim de semana seguinte. Assim, na noite de sexta-feira, com um copo de vinho numa mão, contou às suas três melhores amigas onde tinham ido nessa semana.
A reação da primeira foi congratulá-la, ela própria estava interessada em experimentar. Infelizmente a vida e a COVID tinham impossibilitado a realização desse desejo, até ao momento, mas ainda não havia descartado essa hipótese. A sua única preocupação seria fazê-lo com os rapazes. Estava apreensiva sobre como seriam afetados ao vê-la nua.
A segunda amiga estava um pouco mais negativa. Não tinha nenhum problema por a amiga o fazer, mas estava absolutamente inflexível com a certeza de que nunca seria capaz de o fazer ela própria. Estava descontente com a sua imagem e encontrava conforto em cobrir-se. Fazia comentários sobre a necessidade de perder peso e colocar-se em forma e nada a conseguia convencer de que não precisava de mudar o que fosse na sua pessoa para experimentar.
A terceira amiga nem podia acreditar. Estava incrédula quanto ao facto de a amiga não ter usado nem um biquíni. Tal como a segunda, ela era absolutamente adversa a experimentar o Naturismo.
Apesar de tudo, estas três reações tão diferentes não mudaram em nada a amizade que as unia. Aneta, de repente, não passou a ser a pária ou a doida (pelo menos, não mais que antes).
Um ano depois, quando as amigas a iam visitar, o marido já não se incomodava em vestir-se. As amigas haviam-se acostumado com isso e as piadas eram frequentes, de ambas as partes. Era algo tão normal que elas só comentavam se ele estivesse a usar alguma roupa.
A segunda amiga continuava a afirmar que nunca iria experimentar o Naturismo até ao dia em que estava a folhear uma pilha de revistas da British Naturism. Tendo visto os corpos normais nas publicações, compreendeu que ninguém precisa de ser perfeito para desfrutar daquilo com que se nasce. Aneta aproveitou a oportunidade e perguntou-lhe se ela estaria a reconsiderar; a amiga respondeu que iria dormir sobre o assunto. Na manhã seguinte, com um sol maravilhoso, ela concordou em juntar-se a eles para um dia de visita ao clube do qual eles eram agora membros. Depois de um início nervoso, a amiga apanhava sol no relvado com a pilha de roupa ao seu lado e dizia-lhe como era maravilhoso e agradecia-lhe por a ter levado. Quando chegaram a casa, a amiga não podia esperar por nova oportunidade para regressar e na semana seguinte a ter feito mais uma visita de um dia ao clube, tornou-se sócia. Basta experimentar…
A vizinha de Aneta, tendo visto o casal carregar o carro com a tenda de forma frequente, perguntou para onde iam. Ao início foram evasivos, diziam que iam para um parque de campismo, sem dar grandes explicações. Estavam preocupados em lhe dizer, não fosse ter uma má reação. Se um amigo pensa que ser naturista é errado, perde-se um amigo; viver ao lado de quem pensa da mesma forma pode ser um grave problema.
Mas acabaram por contar. A reação foi típica. Comentou a coragem e afirmou que nunca o conseguiria fazer, mas ao mesmo tempo confessava fazer topless em Espanha.
Talvez a mais interessante resposta que teve tenha sido de uma das mães da escola. O filho mais novo do casal e o seu filho mais velho eram melhores amigos e um dia, no parque local, enquanto os rapazes brincavam, falavam de ansiedade e das várias formas de lidar com ela. Aneta disse que tinha um pequeno segredo e confessou-lhe que eram naturistas. Explicou o que sentia quando os portões se fechavam depois de entrarem e como todas as preocupações se dissipavam, a sensação do sol na pele e o vento a varrer todas as preocupações da mente. Tentou descrever-lhe a liberdade e a plenitude que sente quando visita o clube.
A reação foi de curiosidade. Uma das suas primeiras questões foi se era algo que sempre haviam feito. Ficou surpreendida ao descobrir que era algo recente. Perguntou se alguma vez tivera uma má reação por parte de alguém a quem tivesse contado. Não, ninguém reagira de forma negativa. Também perguntou sobre protetor solar. Quando se despediram, pediu para não se surpreender se ela lhe colocasse mais questões da próxima vez que se encontrassem.
A primeira visita de Aneta a um clube naturista foi apenas o primeiro passo no sentido de descobrir um novo eu, alguém que não procura por algo novo para se sentir descontente de cada vez que se olha no espelho, alguém que não experimenta dez toiletes diferente antes de escolher uma e ainda assim fica descontente, alguém que olha mais para o seu eu interior do que para o seu eu exterior.

Adaptado por José Luís Vieira, a partir do texto original de Aneta, em 25-03-2021
https://www.bn.org.uk/news/information/about-naturism/i-couldnt-wait-to-tell-my-friends-r843/
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