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Admirável Mundo Nu - Artigos III - Associação Naturista Pensamentos ao Vento

Admirável Mundo Nu
A Pensamentos ao Vento, enquanto divulgadora e promotora do Naturismo, faz uma busca contínua por artigos sobre o tema e quando encontra algum que, de algum modo, se adequa ao ponto de vista da Associação, divulga-o, traduzindo-o e adaptando-o à realidade nacional, se for esse o caso. E o artigo que agora apresentamos vem ao encontro da nossa visão de divulgação do naturismo e, acima de tudo, ao nosso modo de viver o naturismo.
O autor do artigo aqui traduzido e adaptado, Jeff Goodrich, depois de ler um artigo de um outro autor, entendeu levar a sua vida de acordo com essas diretrizes, praticando, divulgando e exemplificando. Sem chocar, e atento às crenças dos que os rodeiam, vai forçando a sociedade a aceitar o seu estilo de vida e incentivando outros a saltarem para fora do armário e a darem a cara, e o corpo, pelo Naturismo.
Nesta coletividade, vamos demonstrando que aqueles que se despem socialmente são pessoas iguais às outras, com a diferença que veem as roupas como uma medida de proteção contra as condicionantes climáticas e meteorológicas, e em algumas tarefas, e também como algo necessário a algumas convenções sociais. Daí repartirmos a nossa atividade em eventos com e sem nudez social, primeiro porque, nesta sociedade e nesta latitude, ninguém consegue estar as 24 horas dos 365 dias do ano sem vestuário e a nossa atividade estende-se por todos os meses do ano; segundo, porque em alguns desses eventos a roupa será necessária. Nestes eventos, em que congregamos naturistas e não-naturistas em atividades sem nudez social, aproveitamos para divulgar o Naturismo e mostrar que não somos maluquinhos que por aí se vão exibindo e que o Naturismo é algo social e abrangente que não vive numa bolha hermética. Não obrigamos ninguém à nudez, nem à nossa, nem à deles. Quem tiver curiosidade em saber como é, experimentar ou tentar adaptar-se a uma nova realidade sem roupas, é sempre bem-vindo, tal como bem-vindos são aqueles que nunca se irão despir de roupas nem de preconceitos, mas veem a nossa atividade como benéfica e salutar.
Apesar de comungarmos da visão de um Admirável Mundo Nu, não possuímos a pretensão utópica de querer que todos sejam naturistas, apenas que todos possam compreender o que é o Naturismo e respeitem quem o pratica. Se com isso ajudarmos a fazer crescer a família naturista, tanto melhor.
Admirável Mundo Nu – Uma resolução de ano novo naturista
Uma mente saudável é um corpo saudável. Infelizmente vivemos numa sociedade disfuncional que teme a nudez e, de forma pervertida, a associa ao obsceno. Enquanto a sociedade continuar a ensinar que a nudez é reservada apenas às situações obscenas e as pessoas não possuírem o conceito de nudez casta, esta não irá ganhar muito terreno no que diz respeito à liberdade do corpo e aceitação. Os naturistas têm o dever de educar e ensinar pelo exemplo. A nudez não é obscena. A nudez por si ou em si não é prejudicial. O comportamento individual, aquilo que cada um faz com o seu corpo, é o que realmente faz a diferença.
Mas, quantos de nós ainda têm medo de ser naturistas? Quantos de nós escondem a literatura naturista? Quantos de nós colocam as suas fotos naturistas num álbum junto com outras fotos de família? Quantos de nós têm fotos naturistas penduradas em casa? Ainda carregamos certos medos que impedem a integração e a aceitação total de uma mente sã relativamente à nudez dos nossos corpos. Mesmo que aceitemos os nossos corpos, muitos de nós temem o que os outros irão pensar se souberem que somos naturistas.
Na edição N.º 1 da revista Clothed With the Sun, na primavera de 1984, J. C. Cunningham apresentou a filosofia de vida que ele e a sua família adotaram, relativamente ao seu naturismo, num excelente artigo intitulado, “Que tal uma resolução de revolução para um ano novo naturista?” Tomei a sua filosofia a peito no momento em que li o artigo e passei a praticar as sugestões apresentadas. Muito da minha prática e filosofia foi inspirado por esse artigo.
Para apreciar totalmente a plenitude da experiência naturista devemos libertar-nos dos medos de sermos conhecidos como naturistas, ou de ser vistos despidos. Devemo-nos libertar do medo da opinião negativa da sociedade sobre nós. Muitos têm medo de ser naturistas e estar despidos na própria casa e ser vistos por algum vizinho através de uma janela ou que apareça inesperadamente alguém à porta.
Tenho literatura naturista na minha estante e na mesinha da sala, à vista de todos. Alguns amigos e conhecidos não-naturistas fizeram alguns comentários, mas não recebi qualquer reação adversa de quem quer que fosse. Também tenho molduras com fotos naturistas no corredor. Qualquer visita que precise de usar a casa de banho vê-las-á. Em casa, durante o dia, não corro as cortinas e não me preocupo com algum observador ocasional. Se alguém tocar à campainha, simplesmente pergunto “quem é?” Se for alguém que conheça o meu estilo de vida naturista, abro a porta sem roupa. Se for outra pessoa qualquer, no interesse da cortesia, visto uns calções.
Decidi, há alguns anos, passar a maior quantidade de tempo possível sem roupas, sem medo de ser visto despido, ou ser conhecido como naturista. Apesar disto, é necessário ser discreto e sensato. Uma revolução a impulsionar o naturismo não será eficaz quando se é visto regularmente sem roupas e se é considerado lunático ou pervertido. Pelo contrário, deve-se estar despido quando tal for socialmente aceitável (ou tolerável) nas situações próprias e talvez “forçar a situação” o máximo possível.
Felizmente possuo a privacidade de uma vedação à volta do meu quintal onde me posso enfiar no meu jacúzi, apanhar sol, usar a churrasqueira, etc. sem roupa. A única vez em que fico visível para os meus vizinhos de trás é quando passo nas escadas da porta das traseiras. Quando os vizinhos não estão à vista, e não percebo se eles estão a olhar, simplesmente não me preocupo se apanham um breve vislumbre da minha pessoa a entrar ou a sair de casa. Se os vizinhos estiverem à vista, embrulho-me numa toalha para evitar possíveis aborrecimentos. Vivo neste local há seis anos e nunca tive um único problema. Uma vez, a funcionária da empresa de eletricidade veio fazer a leitura do contador e entrou pelo pátio adentro quando eu estava nu, encostado ao jacúzi a ver a temperatura da água. Ela apenas sorriu, disse “com licença” e foi à vida dela. Mantive a minha calma interior e continuei nos meus afazeres. Se entrarmos em pânico e nos debatermos para nos cobrir, apenas estamos a declarar a vergonha do nosso próprio corpo despido e o medo de sermos vistos nus.
Muitos naturistas ainda não saíram do armário quando continuam a cobrir-se para o bem de pessoas imaginárias que nem sequer lá estão, mas até poderiam estar. Cunningham diz que “é o medo destes ‘talvez’ que nos mantém no armário e nos impede de desfrutar desinibidamente da nudez. Este medo infundado desarma-nos e aborta-nos a nossa suposta revolução. A única forma de ultrapassar esta situação é recondicionar a nossa mente para aceitar o facto de seremos vistos sem vestuário de vez em quando. Tal não deve continuar como algo a evitar, mas aceite sem reservas”.
Quando longe de casa, também procuro locais onde possa ficar despido, seja para caminhar, nadar, acampar, apanhar sol ou apenas relaxar. Em trilhos isolados e pouco usados, eu caminho nu e, se por acaso, encontrar outras pessoas, saúdo-os casualmente e sigo o meu caminho. Em muitas ocasiões encontro um bom local para parar e apanhar sol num rochedo, ler ou apenas relaxar e almoçar.
Se encontrar algum local para nadar, se não estiver ninguém, dispo-me automaticamente. Se chegarem outros, mantenho-me despido, pois já estabeleci o espaço como naturista, e se não gostarem, podem seguir o seu caminho. No entanto, no interesse de evitar um possível confronto, saio, ou visto-me, se apresentarem alguma objeção. Não se pode dizer que estou a exibir a minha nudez porque quem chega já me encontra despido e podem seguir para outra zona. Se já lá estiver alguém, e eu pretender despir-me, pergunto se se incomodam se eu não usar o calção de banho. Se se incomodarem posso mudar-me para outro local longe da vista.
Não tenha medo de ser conhecido como naturista. Muitos entram em pânico ao pensar na última pessoa que querem que descubra que se é naturista – talvez amigos, colegas de trabalho, o patrão, ou, mais importante, familiares. Se se pretende paz de espírito como naturista, estas são as pessoas que primeiro devem saber. Vai continuar inibido e com medo das suas reações na eventualidade de descobrirem o seu segredo. Ficará surpreendido ao descobrir quantos deles vão ficar com inveja ao saberem que é um naturista. Irão invejar a liberdade, a autoaceitação, a aceitação dos outros e a ausência de vergonha do corpo e de aversão a si próprio porque sabem que estão reféns das suas roupas e oprimidos pela vergonha e pelo medo do próprio corpo (e do corpo dos outros).
Se quisermos realmente viver, um dia, num Admirável Mundo Nu, devemos manifestar-nos, dar o exemplo e não ter medo de nos envolvermos numa revolução pacífica. Devemos ser politicamente ativos. Devemos deixar de incutir vergonha corporal nas crianças. O corpo humano não é obsceno ou desagradável na sua nudez. O que importa é o que se faz com ele. Como pode qualquer criatura viva ser prejudicial para a sua espécie no seu estado natural, nu? Desafia toda e qualquer lei natural, lógica, razão, senso comum e sanidade afirmar que a simples nudez é prejudicial, no entanto, somos ensinados a acreditar nisso. Quem, e de que forma, está a ser prejudicado? Estas crenças estão extremamente erradas e são completamente infundadas. Tratam-se de um triste comentário sobre a profundidade dos sistemas de crenças disfuncionais universais da humanidade em relação ao ódio e autoaversão aos nossos corpos físicos.
Cunningham afirma, “mesmo que não esteja muito entusiasmado com a ideia de participar desta revolução, nunca experimentará total paz de espírito para si mesmo e não desfrutará em pleno da nudez até que esteja totalmente preparado para ser naturista, ser conhecido como naturista e ser visto nu por qualquer espectador ocasional.” Talvez, um dia, possamos viver num Admirável Mundo Nu onde a nudez é tão aceite e tão normal como os pássaros, a relva, as árvores. Tomei estes conceitos e fiz deles a minha filosofia pessoal e vivo segundo os mesmos. Permita-se ser livre. Nada tem a temer para além do próprio medo.
Talvez um dia possamos vir a viver num Admirável Mundo Nu no qual tenhamos a liberdade de praticar um estilo de vida com nudez opcional, conforme escolhermos, num mundo onde a nudez seja aceite como normal, uma parte natural da vida, e o corpo humano não seja criminalizado. Porque não começar agora, onde e quando pudermos.
 
 
Por José Luís Vieira,  em 23-12-2021
Artigo original de By Jeff Goodrich, publicado em http://montananaturist.org/Articles%20on%20Nudism.html visto em 2021-12-16
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