O futuro do Naturismo segundo Nick e Lins - Artigos - Associação Pensamentos ao Vento

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O futuro do Naturismo segundo Nick e Lins
O FUTURO DO NATURISMO

Originalmente, e de acordo com os autores, Nick e Lins, “as nossas ideias acerca do futuro do naturismo são demasiadas para colocar em apenas um artigo, decidimos dividi-las em dois.” Por seu lado, a Associação Pensamentos ao Vento decidiu colocar ambos em apenas um artigo, com as respetivas adaptações. Os artigos originais podem ser consultados nos seguintes endereços:
http://www.nakedwanderings.com/2017/05/08/future-nudism-part-one-facts/
http://www.nakedwanderings.com/2017/05/15/future-nudism-part-two-possibilities/

- Os factos -


Os autores do texto refletem frequentemente sobre o que o futuro terá para oferecer aos naturistas. E consideram ser um osso duro de roer, mas, provavelmente, é sempre assim com o futuro. E acabam por não resistir a tentar construir uma opinião sobre o naturismo e a partilhá-la no seu blogue.
No artigo «É a roupa-opcional o novo naturismo?» já haviam falado um pouco sobre os seus pensamentos acerca do futuro e acerca do qual receberam uma interessante variedade de respostas. Um dos maiores receios parece ser se os não-naturistas forem autorizados a entrar em espaços naturistas, em breve serão a maioria, fazendo com que os naturistas se sintam desconfortáveis. Outro receio é o risco de um aumento de espreitas e pervertidos que passarão os dias nas praias de roupa-opcional a observar os naturistas.
Estes receios são compreensíveis e têm consciência de que uma sociedade com os naturistas e não-naturistas a viverem alegremente em comunhão pode ser uma utopia. Mas continuam a pensar que esta é a direção a seguir.

O Naturismo como o conhecemos
Naturismo é certamente um termo abrangente e existem muitos tipos diferentes de naturistas. Há os naturistas que não se assumem, os caseiros, os sociais, os ocasionais, os a tempo inteiro, os que só se despem nas férias, e provavelmente mais uns quantos tipos de naturistas. Escusado será dizer que as espectativas de futuro serão diferentes para cada um. O sonho de um naturista que não se assume será sair do armário, ao passo que o de um a tempo inteiro será um mundo naturista.
Uma vez que não é possível cobrir cada tipo de naturista neste artigo, concentram-se no naturista social, aquele, ou aquela, que gosta de conviver despido entre outros. Sendo que esta é também a definição de naturismo mais amplamente aceite.
Muitas das organizações naturistas existentes estão a lutar para alcançar um público mais jovem, a média de idade dos seus membros está a atingir os cinquenta ou sessenta anos e receiam que brevemente não existam membros. Frequentemente os seus membros fazem trabalho voluntário na organização e quanto mais velhos ficam, mais difíceis as tarefas se tornam. Então, concluíram que a juventude já não está interessada no naturismo.
Mas será isso realmente verdade?
Por um lado, está comprovado que a juventude parece estar um pouco mais puritana. Com todos esses “corpos perfeitos” dos media dos nossos dias, a vergonha corporal está a tornar-se uma verdadeira doença. Algumas pessoas até deixam de praticar exercício físico porque receiam ser alvo de chacota.
Por outro lado, vários estudos demonstraram que nunca antes houve tanta gente, de todas as idades, abertas ao naturismo. Alguns chegam mesmo a afirmar que 10% da população mundial, em algum momento da sua vida, experimentou a nudez social. Qualquer coisa como 600 milhões de pessoas. Isto torna complicado afirmar que o naturismo esteja realmente a morrer.
Mas as organizações naturistas poderão mesmo. Há não muitos anos, se quiséssemos ser naturistas sociais, tínhamos de ser membros de uma organização. Teríamos de ser aceites pela direção, pagar as quotas, cumprir as regras e realizar algumas tarefas na comunidade.
Agora que as opções para os naturistas cresceram substancialmente (basta pensar nas muitas praias, parques de campismo e estâncias turísticas e atividades naturistas organizadas como mergulho e a famosa World Naked Bike Ride), menos pessoas parecem sentir necessidade de aderir a uma organização. Especialmente as pessoas mais jovens. Os autores do texto, por exemplo, não são, nem nunca foram, membros de uma organização naturista e ainda assim passam imenso tempo socialmente despidos.

Ganhando aceitação
O naturismo está também a ser cada vez mais aceite, especialmente na Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, mas também na África do Sul e vários países da América do Sul e Ásia.
Cada vez mais pessoas experimentam o naturismo e sentem que podem falar abertamente acerca disso. O tabu que tem existido à volta da nudez, histórica e culturalmente, está lentamente a desaparecer. Isto são boas notícias para o resto do mundo também, porque uma florescente cultura naturista é uma medida clara de uma sociedade aberta.
Na realidade, a nudez pública já é parcialmente aceite, desde os anos 60, com o aparecimento do topless no sul da Europa. Não é necessário um espaço naturista para o fazer, em muitas praias não-naturistas é perfeitamente normal uma mulher tirar a parte de cima do biquíni.
Estranho é uma mulher poder apanhar sol na praia de mamas destapadas sem preocupações, mas, dez metros mais à frente, na avenida, deixar de o poder fazer.
E mais estranho ainda é uma mulher poder tirar o top e limitar os calções a uma tira de tecido que mal se vê, mas assim que ela tira esses “calções” cai o Carmo e a Trindade.
Certo, há uma diferença entre genitais e mamas, tanto em sentido anatómico como sexual, mas é interessante pensar que as mulheres começaram a depilar-se para que não se visse pelos fora dos calções. Então, na verdade, hoje os seus pelos púbicos tapariam mais que os remendos que usam. Existe aqui uma certa controvérsia.

O que significa isto para o futuro?
Uma coisa é certa, é necessário livrarmo-nos da vergonha corporal.
Mas é a história do ovo e da galinha, temos de perder a vergonha para ficarmos confortáveis com a nudez?  Ou devemos ficar confortáveis com a nudez para ganharmos confiança no corpo?
Mas, em vez disso, definitivamente, o naturismo não está a morrer. Prevê-se que as férias naturistas cresçam nos próximos anos. O número de equipamentos está a aumentar, existe muito mais variedade (há 20 anos, férias sem roupa significava estar num parque de campismo naturista, agora há estâncias, cruzeiros, etc.), existem agências de viagens concentradas essencialmente nos naturistas e destinos tropicais como a Tailândia ou as Caraíbas que começam a abraçar o naturismo.
E, normalmente, umas férias naturistas são, para muitos, o primeiro passo na direção de um estilo de vida naturista.
Por outro lado, as organizações naturistas continuarão a perder membros se não mudarem as suas estratégias. O capitalismo acompanhou o estilo de vida naturista e as pessoas preferem pagar para passar um dia num qualquer espaço naturista de eleição do que juntarem-se a um clube e irem sempre ao mesmo sítio, onde têm de colaborar voluntariamente e jogar ao berlinde.
E não podem esperar que a juventude apareça sem mais nem menos. Devem focar-se efetivamente nessa faixa do público. Por exemplo, a maioria dos websites das organizações naturistas continuam parecidos com os de há 20 anos, não têm qualquer referência nos media e organizam eventos que não são apelativos para os desconhecidos de 18 anos.
O processo deveria ter sido iniciado há já uns anos, mas, apesar de ainda não ser demasiado tarde, devem atuar AGORA!
Alguns podem dizer que as organizações naturistas estão destinadas a desaparecer, mas isso seria realmente muito mau para o Naturismo.
Não devemos esquecer que essas organizações são a razão pela qual o naturismo se tornou mais aceite e porque temos tantas opções hoje em dia. Enquanto indivíduos, nunca seríamos capazes de manter essa tendência. Precisamos de estar organizados para assegurar o futuro do naturismo. Ainda há muito trabalho inacabado, muitas leis a mudar, muitas praias a se tornarem de roupa-opcional, muita gente a convencer de que o naturismo é mesmo um estilo de vida fantástico. E há tantas coisas que é possível ainda alcançar.

- As possibilidades -

As ideias e opiniões atrás explanadas, muitas já comprovadas, levam a crer que estamos perante um futuro promissor para o Naturismo. Deste modo, será necessário focarmo-nos nas nossas crenças, esperanças e sonhos.
Robert H. Schuller, pastor evangelista americano num programa de televisão, disse que a chave para a felicidade é fazer a si próprio a pergunta “O que faria se soubesse que não poderia falhar?” e fazer da resposta o seu objetivo de vida. Esta é a filosofia na qual este artigo se baseia.

Hoje
O naturismo começou há mais de 100 anos, e desde então que percorremos um longo caminho. Atualmente, em muitos lugares, o naturismo já não é algo de que se tenha vergonha, não é algo secreto. Não é algo para se fazer no meio da floresta atrás de uma enorme vedação. Hoje, os naturistas têm praias, trilhos, cruzeiros, restaurantes e um dia por ano podem andar de bicicleta nus no centro de muitas cidades europeias e americanas.
E os naturistas estão verdadeiramente contentes com isto, especialmente na Europa. Na Bélgica, onde vivem os autores do artigo, as condições meteorológicas não favorecem muito este estilo de vida. A maioria das vezes ou faz frio ou chove, mas o mais provável é que seja ambos. Mas há spas onde podem estar livremente despidos, uma vez por mês uma piscina é sequestrada por naturistas e existem também outros eventos indoor. E quando o tempo melhora, há praias naturistas e diversos clubes onde se pode tomar banhos de sol, jogar ténis de mesa, dormir uma soneca, conversar, beber uma cerveja, tudo sem as restrições da roupa.
Mas estamos a falar da Europa, o local de nascimento do naturismo moderno.
Em muitas outras partes do mundo o naturismo continua a ser um grande tabu. É visto como pouco ético, contra a religião ou algo para os “menos desenvolvidos”. Em África, por exemplo, na maioria dos países, as condições atmosféricas são perfeitas para os naturistas e nas tribos indígenas onde a tradição é usar roupas só para proteção, o naturismo é, de um modo geral, completamente inaceitável.
Através do seu website e dos media, os autores deste artigo têm-se mantido em contacto com muitas pessoas, incluindo da Índia, um país em que o naturismo está proibido por lei, que ficam restringidas ao naturismo nas suas habitações. Tal deixa os autores do estudo bastante tristes.

Amanhã
A aceitação generalizada do naturismo deve ser a primeira coisa pela qual nos devemos esforçar. Quer no próprio país, quer além-fronteiras. É necessário mostrar ao mundo que os naturistas não são apenas hippies ou pervertidos, que não são os tipos estranhos da zona. Durante muito tempo os naturistas foram felizes com as suas áreas secretas, mas esses dias desapareceram. Os naturistas asseiam para ser aceites, não porque queiram mostrar os seus corpos nus a todos, mas porque querem que as pessoas vejam que possuem um estilo de vida único, baseado na confiança, respeito, harmonia e igualdade.
Mas como podemos fazer isto quando nos restringimos às nossas áreas isoladas? Praias de roupa opcional são o primeiro passo. Isto é o caminho perfeito para os não-naturistas entrarem em contacto com os naturistas sem terem de se tornar membros de um clube ou serem forçados a despir-se logo de início. Na Bélgica, mas também em outros países pela Europa, os clubes naturistas organizam atividades abertas, para que os não naturistas possam participar e ter uma primeira impressão. E parece ser um grande sucesso. De início houve algum receio que fossem só ver o pessoal despido, mas a maioria dos visitantes mostrou bastante interesse no estilo de vida e com frequência decidiram despir-se também.
É nisto que os naturistas se devem focar, menos “nós e eles” e mais de apenas “nós”. Respeito é a palavra-chave aqui, os naturistas querem ser respeitados pela escolha de estar despidos e, por outro lado, devem respeitar aqueles que decidem usar roupas.
Algumas pessoas gostam de usar calças de ganga, outras gostam de usar fato, outros gostam de nada usar.
Quer isto dizer que todos deveriam andar sempre despidos? Claro que não. Os naturistas não se cingem sempre ao mesmo código de vestuário, os naturistas usam diferentes tipos de roupa para diferentes ocasiões. Não é espectável que um naturista se apresente despido a uma entrevista de emprego. Mas usar um fato numa entrevista de emprego pode ser considerado o mesmo que nada usar na praia, no próprio jardim, no parque, ou a ir às compras num dia solarengo.
Nudez deveria se tornar um estilo de vestuário casual.

Depois de amanhã
Assim que a nudez pública seja finalmente aceite, as opções são ilimitadas. Pense apenas nas muitas coisas que poderia gostar de fazer despido, que poderiam realmente ser muito melhores se fossem feitas sem roupas.
Quando se promove o naturismo, normalmente fala-se acerca de nadar e do prazer de não ficar se limitado ao uso do fato-de-banho, mas existem muitas mais coisas nas quais as roupas são redundantes. O Yoga segue esta tendência, mas pense em frequentar o ginásio. Não seria muito melhor se pudesse fazer exercício sem roupas?
E ir a uma festa? Quanto tempo se gasta a decidir o que vestir? Devemos usar um fato? Uma camisola? Salto alto? Roupa interior modeladora? Com festas naturistas todas essas angústias desaparecem, não se pensa mais no que vestir. Isto também vai afastar a inveja? Provavelmente sim. Quando se vê uma bela pessoa vestida, tende-se a pensar que devem estar a esconder algumas imperfeições. Quando se vê a mesma pessoa despida e ela continua a ter um corpo “perfeito”, ainda se tem inveja? Provavelmente não, porque é o que é. Todos são diferentes e “belos” será, provavelmente, o termo mais abrangente que existe.
Basta pensar um pouco, se a sociedade não esperasse que usasse roupas, em qualquer momento, o que faria? Compras? Claro! Quantas vezes não pegou na primeira camisola e nas primeiras calças que encontrou para ir de manhã até à padaria? Apenas para vestir qualquer coisa. Também poderia ir sem roupa. E há ouras pequenas coisas como esta, ir buscar qualquer coisa ao carro, deitar o lixo no contentor, pedir leite ou dois ovos aos vizinhos.
E se pudéssemos ir despidos ao restaurante? E se pudéssemos correr nus pela manhã? Visitar os familiares? Até comprar roupa seria muito mais eficiente se pudéssemos chegar despidos.
E o trabalho? Se tiver um emprego de escritório, como os autores do texto, não existe realmente necessidade de roupas. E os autores, se tivessem de fazer uma apresentação importante já imaginam a audiência nua. Não seria muito melhor se realmente estivesse?

Traduzido e adaptado por José Luís Vieira a partir dos endereços supracitados
em 01/06/2017
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