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O despertar do naturismo - Artigos III - Associação Naturista Pensamentos ao Vento

O despertar do Naturismo
Li um texto sobre espiritualidade no facebook e achei que seria interessante adaptá-lo ao Naturismo e à sua divulgação entre os nossos amigos e conhecidos.
Evidentemente que, antes de divulgar, o primeiro passo será assumir, o que nem sempre será fácil para todos os que abraçam a causa naturista. Muitas razões se podem levantar, como a aceitação por parte de familiares, colegas, empregadores, clientes e todos os que nos rodeiam e veem a nudez social como algo descabido e imoral na nossa sociedade. Ou até mesmo a nossa perceção do que os outros irão pensar do facto de nos despirmos socialmente. Um mau começo para um naturista. No entanto, quando a nossa convicção de que o Naturismo é apenas e só o respeito por nós, pelos outros e pelo meio ambiente usando a nudez social como uma forma de atingir esses propósitos, transmitir a inocência e pureza do Naturismo torna-se muito mais fácil.
O texto pedia-nos para imaginar o seguinte cenário:
Um grupo de amigos foi fazer férias em conjunto e, para isso, alugaram uma casa.
Chegaram, passaram o dia juntos e foram dormir. Cada um no seu quarto.
No dia seguinte, uns acordaram bem cedo, outros ficaram a dormir.
Acha que os que acordaram mais cedo são mais evoluídos do que os que ficaram a dormir? Apenas acordaram mais cedo. Talvez tenham acordado mais cedo porque têm o hábito de acordar cedo. Ou porque estavam descansados. Ou porque dormiram mal. Ou porque o quarto em que estavam tinha muita claridade. Não são melhores que os outros.
O que aconteceria se tentassem acordar os que ficaram a dormir?
Despertados antes de tempo podiam acordar irritados, ficar incomodados, rabugentos, não descansariam o tempo de que realmente precisavam. Mas não são menos evoluídos. Não sabemos o que se passou com eles. Talvez tenham tido uma semana difícil. Podem estar com o sono acumulado. Podem ter adormecido bem mais tarde que os que acordaram cedo.
O que devem então fazer os que acordaram mais cedo? Apenas seguir o seu dia.
Fazer o pequeno-almoço, limpar a casa, planear o dia. Começar a organizar o que querem fazer. Podem pensar nos outros e deixar o pequeno-almoço pronto para todos e já pensar nas possibilidades do dia para consultar os restantes quando acordarem. Assim, quando os outros acordarem, vão se sentir cuidados. Vão sentir que estão entre amigos. Vão sentir que aquela viagem é a viagem que, de facto, gostariam de fazer. Vão sentir que estão no lugar certo. A vida desses que acordaram mais tarde pode ficar um pouco mais fácil se aqueles que acordaram mais cedo prepararem o cenário...
É desta forma que vejo a nudez social.
Tenho noção de ter uma visão diferente da utilidade das roupas do que a maioria das pessoas. Mas não sou mais, nem menos, evoluído que os outros. E também não os posso acordar de repente, não os posso obrigar a andar sem roupa.
O corpo nu já é suficientemente castigado pela sociedade para que se obrigue os outros a ter uma visão igual à minha sobre a utilidade do vestuário. Na maioria das vezes, nem os próprios sabem porque não querem andar sem roupas, ou quando acham que sabem, não conseguem sustentar os seus argumentos com factos concretos. Apenas se sentem incomodados com o simples pensamento de socializar sem qualquer peça de roupa. Não lhes é fácil pensar que, algures no seu passado, lhes foi incutida a vergonha de um corpo nu; não lhes é fácil fazê-lo pois não recordam nada no seu passado que os levasse a perder a simplicidade do corpo nu. Mas o exemplo, os atos, as críticas, as repreensões esquecidas, e outras condicionantes, ficaram bem vincadas no seu ser. Não lhes é fácil conceber que, depois de perdida a vergonha do corpo nu, passarão a ter uma nova e livre forma de pensar e sentir, que passarão a ser melhores uma vez que já não estarão presos ao vestuário e a tudo o que ele acarreta, pois a roupa não tapa apenas o corpo. Mas não melhores que os outros. E isto é algo que apenas eles próprios podem constatar. Mas para isso, vão ter de acordar, acordar quando estiver na altura de acordar; não poderei ser eu a acordá-los.
Quando acordei para o Naturismo passei a ser melhor, apenas porque me sentia melhor; não passei a ser melhor do que os outros, passei a ser diferente, a ter uma visão e uma sensibilidade diferente da que tinha anteriormente face ao uso do vestuário, à socialização, ao meu corpo e ao corpo dos outros.
Descobrir essa melhoria, descobrir que ficamos mais leves, faz-me querer que outros também a descubram, mas não os posso obrigar a despir. Se insistir, se os acordar, vão ficar rabugentos, não vão apreciar a experiência, vão-se irritar, incomodar e afastar. Apenas posso preparar e mostrar o caminho para que eles próprios o possam trilhar, para que se sintam à vontade para me colocar questões, para que saibam que quando estiverem prontos a dar o primeiro passo podem contar comigo para os acompanhar. Essa é a razão dos meus textos, dos meus livros, das minhas conferências, da minha participação na Pensamentos ao Vento - Associação.
Se não quiserem acordar, continuam a ser meus amigos pois o sono é deles e só eles podem decidir se querem acordar ou não. Se optaram pela minha amizade é porque a minha condição de naturista não os incomoda, da mesma forma que a mim não incomoda o facto de eles não quererem aderir à nudez social. Já antes era assim e aceitei-os.
Eles dormem, eu desfruto do nascer do sol e, enquanto me quiserem ouvir, vou continuar a descrever-lhes como é belo.

Por José Luís Vieira
11-06-2020
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