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O Associativismo na Pensamentos ao Vento - Artigos III - Associação Naturista Pensamentos ao Vento

O Associativismo na Pensamentos ao Vento
Para que se perceba o que é a Pensamentos ao Vento, e o seu funcionamento, será necessário compreender o que é o Associativismo e o que é, e para que serve, uma associação.
Uma associação é uma entidade jurídica, criada livremente por vontade de uma comunidade com base em valores tidos como essenciais, como a solidariedade, que visa a participação e a cooperação para a concretização de objetivos comuns. Assim, o associativismo é uma iniciativa formal que consiste na agregação de pessoas ou de organizações que se reúnem com o objetivo de gerar soluções, bem como superar desafios e dificuldades que podem ser de âmbito social, cultural, desportivo, político, económico, científico, entre outros. A formação do conceito está ligada às organizações nas quais grupos de cidadãos têm a possibilidade de lutar e afirmar a sua identidade, constituindo um pilar decisivo na construção da solidariedade e contribuindo para o exercício da democracia e da cidadania. Envolve participação, solidariedade, união e cooperação para alcançar objetivos comuns, mobilizando indivíduos de forma a criar propósitos e caminhos para a resolução de conflitos e problemas enfrentados pela sociedade ou grupos dentro da sociedade.
Resumindo, o associativismo é a organização de pessoas que procuram colmatar necessidades coletivas ou concretizar objetivos e alcançar metas comuns.
O movimento associativo está diretamente relacionado com a liberdade. De uma maneira geral, as ditaduras sempre impuseram restrições à constituição e à atividade das associações independentes do poder instituído. Nos últimos anos, a sociedade civil tem vindo fortalecer-se e o associativismo contribuiu (e contribui) para esse fortalecimento, tendo-se revelado como muito importante para a consolidação da democracia de qualquer país.
Para compreender um pouco melhor o associativismo, é necessário recuar na história. Na pré-história, por exemplo, já havia registo de associativismo para alimentação e proteção. Não se trata evidentemente de associativismo nos precisos moldes atuais, mas a caça em grupo era mais eficaz do que a caça individual para um animal com as limitações e fragilidades como o ser humano. Da mesma forma, a organização social em grupos favorecia a proteção individual por inclusão no próprio grupo; seria mais fácil e seguro viver incluído num grupo do que de forma solitária e individual.
Na Grécia Antiga, existiam já diversos espaços associativos, como os ginásios ligados à cultura física, ou os grupos que se reuniam para debate e palestras dedicadas aos mais variados temas. Também na Roma Antiga, outros exemplos de associação eram as organizações profissionais “Collegia” ou as escolas de gladiadores, entre outras.
Já na idade média, surgiram os primeiros sinais de associativismo com ligação à Igreja Católica. Começam também a surgir as corporações de artesãos ou produtores, as Ordens Militares, e que vigoraram na Europa até o século XIX acabando por ser substituídas pelas associações profissionais, patronais que, mais tarde, deram também origem às associações sindicais.
Nos meados do século XIX, início do século XX, foram criadas as associações e coletividades voltadas para a cultura, desporto, recreio, lazer e saúde, emergindo das condições sociais decorrentes da sociedade industrial, tornando-se ao longo dos tempos elemento dinamizador das comunidades e um importante fator de transformação e inovação social.
Em Portugal, com a Monarquia Liberal é criado um novo quadro político, económico, social e cultural, que viria a revelar-se favorável à emergência e crescimento do associativismo de cariz popular. As primeiras coletividades procuraram encontrar resposta para as várias necessidades coletivas prementes, dedicando-se à cultura e ao recreio, mas também à instrução e até mesmo à previdência; ao intercâmbio das suas atividades; à gestão democrática; ao combate da exclusão das mulheres; ao interclassismo; entre outras. As populações passam a ter acesso a novos e importantes espaços de socialização e lazer.
Durante o Estado Novo, o associativismo recebe um forte impulso, pois procurou-se fomentar e impor à sociedade portuguesa um modelo nacionalista, ruralista e tradicionalista de cultura popular, com o objetivo de legitimar politicamente o regime e de estabelecer um consenso social e cultural em torno de um conjunto de valores, imagens e práticas culturais, ao mesmo tempo que se limitava o livre associativismo sociocultural (com a implementação de diversos mecanismos, como a rede das casas do povo e a ação centralizadora da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho), controlando, perseguindo e reprimindo o associativismo livre. Participar no associativismo livre era uma forma de resistir à ditadura, de partilhar ideias e de dinamizar ações cívicas.
Mas foi após o 25 de Abril de 1974 que se registou um grande crescimento das associações. Além deste crescimento, é necessário salientar que as chamadas “associações clássicas” passaram a se organizar de uma forma mais diversificada, ao nível das suas atividades, surgindo também novos tipos de associações.
Em Portugal existem mais de 65.000 registos relativos a associações no período temporal de 1835 a 2011, de acordo com um levantamento de dados realizado pela Secretaria Geral da Administração Interna, em 2011, e que teve como fonte a documentação existente sobre esta matéria nos Governos Civis, entidades com um papel regulador no âmbito da aprovação dos estatutos e regulamentos das associações e que abrangiam diversas tipologias como, instrução, saúde, recreio, beneficência, irmandades, confrarias, trabalhadores, religiosas, etc.
Em 1974 existiam em Portugal cerca de 10.000 coletividades e hoje são mais de 30.000, sendo, de longe, o tipo associativo mais numeroso em Portugal, estando disseminadas por todos os cantos do país, desde as mais pequenas e remotas aldeias, às grandes cidades, existindo um balanço positivo entre as associações que são criadas e as que vão desaparecendo. Apesar de existirem muitas associações em Portugal, somos também o país que detém o menor índice de participação no associativismo por habitante.
De uma maneira geral, o associativismo traz diversas vantagens, como a união tendente a gerar um pensamento coletivo; orientando decisões que passam a ser aprovadas pela coletividade, sem decisões individuais; uma forma mais rápida e simples de transmitir informações importantes e do interesse de todos; facilitando a comunicação e a implementação de estratégias mais direcionadas; a atuação conjunta e em rede; fortalecendo a representatividade; gerando resultados mais sólidos para os interesses comuns e coletivos.
As associações constituem-se como um pilar da nossa democracia, através da participação direta do indivíduo no coletivo, com efeitos a vários níveis: no plano social (integração e coesão sociais, combate ao isolamento, envelhecimento com qualidade); na democratização do acesso à cultura e ao desporto; no plano económico (criação de emprego, promoção do comércio local); no plano do desenvolvimento comunitário (promoção da saúde individual e comunitária, construção de relações colaborativas, etc.).
A nossa própria Constituição, no seu Artigo 2º indica que “A República Portuguesa é um Estado de direito democrático (…) visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa” reconhecendo ainda o papel das coletividades na construção dessa mesma democracia: compete-lhes colaborar com o Estado e outras entidades na promoção do acesso de todos quer à cultura, quer ao desporto (artigos 73.º e 79.º); e compete-lhes também intervir ativamente na vida administrativa local (artigo 263.º).
As associações constituem-se como a maior rede social do país; são a entidade coletiva mais próxima das pessoas; são uma escola de cidadania e um exemplo de democracia; e são particularmente resilientes. No entanto, podemos também apontar alguns pontos fracos, como por exemplo, a frágil coesão e interligação internas; o conservadorismo e a estagnação; a fraca participação de jovens e de mulheres em funções dirigentes.
As associações não funcionam isoladas das comunidades em que se inserem. Caso o façam ameaçam ser ostracizadas pela sociedade, tendem a funcionar de forma imprópria e dificilmente conseguirão atingir os propósitos de uma associação. Também não funcionam desligadas da realidade nacional e internacional nos seus contextos político, económico, social e cultural. Isto não significa que a evolução de uma associação seja ditada apenas pelo que vem do contexto externo. A vontade dos associados e dos dirigentes, a sua visão, o seu querer e o seu trabalho são também uma variável fundamental, não apenas no contexto interno, mas também no externo. O que significa que as associações além de serem moldadas pela sociedade, ajudam também elas a moldar a sociedade.
Para participarem na construção de uma democracia avançada é fundamental que as coletividades não se coloquem apenas numa posição de amortecedor de problemas, nem se fechem à sociedade. Devem assumir cada vez mais um papel ativo e consciente na transformação da sociedade, com especial incidência na construção de uma sociedade mais justa. E precisam também de estar próximas e unidas, trabalhando em parceria e no fortalecimento das suas estruturas representativas. Só assim terão a força suficiente para poderem desempenhar um papel efetivo na construção do seu futuro, do futuro das suas causas e do futuro do país.
No entanto, para que os propósitos das coletividades se concretizem, será importante lembrar que os associados também têm deveres. É necessário que participem ativamente quando fazem parte de uma associação, que estejam dispostos a exercer funções específicas dentro da associação e ainda a participar financeiramente de forma igualitária para que toda a coletividade suporte os custos inerentes à manutenção do pleno funcionamento da associação.
É também necessário que aqueles que se reveem nos propósitos das causas defendidas pelas associações as passem a integrar, contribuindo para o seu crescimento e enriquecimento, o que conferirá uma maior representatividade nos locais corretos para a defesa dos interesses de todos aqueles que acabam por usufruir das concretizações das associações.
E este é o grande problema do associativismo. A falta de interesse em participar por parte daqueles que querem os seus objetivos alcançados, mas não se juntam ao movimento associativo para ajudar o movimento a ganhar força e representatividade. Preferem pagar a uma empresa para poder participar em atividades e eventos que as associações podem fazer a um custo bem inferior e com vantagens para todas as partes envolvidas. No entanto, esquecem que quando têm necessidade de defesa dos seus interesses, ou as atividades deixam de gerar lucro, as empresas não os defendem e terminam essas atividades.
Juntando-se ao movimento associativo, além de o perpetuar, estará a defender os seus próprios interesses pois é no coletivo que se ganha força, tal como fizeram os seres humanos desde os primórdios, foi o associativismo que nos tornou numa espécie de sucesso (até demais, mas isso é outra história). Sem o poder coletivo não é possível a subsistência da espécie e sem a participação do ser humano no associativismo não é possível a defesa das causas.
Sem a tua participação não é possível defender a tua causa.
Na Pensamentos ao Vento - Associação não defendemos apenas o Naturismo e muito menos o simples direito à nudez. Defendemos os valores do Naturismo. Defendemos os valores da Cidadania, bem vincados no Naturismo. E por isto, entendemos que para defender estas causas devemos ser abertos à comunidade, mas mantendo a efetiva independência de outros organismos e com eles colaborando na prossecução dos objetivos comuns. Entendemos que devemos acolher não apenas os que se despem socialmente, mas também todos os outros porque todos fazemos parte de algo maior que o Naturismo. E quanto maior o grupo, maior a força para defender os valores do Naturismo e da Cidadania. Isto é ser associação.
Esta associação não é apenas um fornecedor de serviços. Toda a atividade desta associação é virada e focada na concretização da defesa dos direitos consagrados de todos os cidadãos, independentemente das suas opções, pois nesta Sociedade os direitos, liberdades e garantias dos outros ainda não fazem parte da mentalidade de todos, em especial quando a sua visão da Sociedade difere dos restantes. Com a nossa atividade, e a divulgação da nossa atividade, levamos a todos a possibilidade de aprender a olhar os direitos dos outros de outra forma, dando-lhes a certeza de que a nossa atividade não coloca em risco a sua liberdade, mas garante a nossa livre associação e a concretização dos nossos objetivos.
Mas só com o contributo individual no coletivo é possível concretizar isto e ir mais além.
Junta-te a nós, defende a tua causa no nosso coletivo.
Só com o teu contributo teremos a força coletiva para defender a tua causa.
A nossa causa.
Por José Luís Vieira
15-07-2020
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