Como será viver a maior parte da vida sem roupa? - Artigos II - Associação Pensamentos ao Vento

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Como será viver a maior parte da vida sem roupa?
Algumas mulheres acreditam que para experimentar euforia, sem o uso de substâncias mais ou menos ilícitas, basta tirar o soutien depois de um longo dia de trabalho. Algumas pessoas interrogam-se porque é que depois de um duche têm de enfiar as pernas num par de calças apertadas. Seria tão mais simples se pudéssemos viver despidos. Mas podemos. Os naturistas participam em inúmeras atividades completamente banais como ir à praia, à piscina, acampar, caminhar, praticar os mais variados desportos (quer no interior, quer no exterior), organizar festas e convívios, etc. Ou seja, quase tudo o que se faz individual ou socialmente vestido pode se fazer despido. Segundo os naturistas, a vida é muito melhor sem roupas.
Provavelmente já ouviu falar de nudistas e de naturistas, e apesar de muitas das vezes os termos serem usados com o mesmo sentido, a verdade é que existem algumas diferenças entre as duas práticas. Enquanto o nudismo é o ato de estar nu, sozinho ou em alguma praia ou resort, o Naturismo adiciona ao nudismo o contexto social (a socialização com outras pessoas despidas de roupas e preconceitos), a par da aceitação dos corpos alheios (independentemente da sua cor ou formato), do respeito pelos outros (independentemente das suas convicções) e do respeito pela Natureza e meio ambiente. Naturismo é uma filosofia de vida que engloba a prática do nudismo num sentido mais alargado. Por diversos motivos, nem sempre os naturistas podem andar sem roupas, mas sempre que podem despojam-se do vestuário.
Nunca é demais lembrar que Naturismo não é acerca de sexo. A simples nudez não é sexual, sexual é a posse e o enfeite do corpo com roupas e acessórios que podem erotizar a mente de quem observa. Os naturistas não seres assexuados, apenas veem a nudez como algo natural e desligada da sexualidade. Estar nu não é sinónimo de estar disponível para iniciar uma relação sexual. Isto não quer dizer que os naturistas olhem os corpos alheios com indiferença, isto quer dizer que apreciam os corpos dos outros sem um sentido sexual, sem o desejo de usar a outra pessoa para seu prazer. Os naturistas quando se juntam socialmente têm o mesmo propósito das outras pessoas, confraternizar, apenas o fazem sem roupas porque se sentem confortáveis com isso. E também por isto o Naturismo é uma prática familiar.
O grande problema do Naturismo é que a sociedade transmite a sexualidade como algo negativo, sujo, impróprio e, como se não bastasse, associou a nudez à prática sexual. E esta é a parte mais difícil de superar, não por aqueles que iniciam a prática do Naturismo, mas por aqueles que não se conseguem distanciar destes conceitos sociais da nudez e da sexualidade e que acabam por recriminar aqueles que fazem outro entendimento desses aspetos naturais no Ser Humano. Para que alguém possa viver a maior parte da sua vida sem roupas, primeiro terá de se livrar destes constructos sociais. Lembre-se que os prisioneiros destes constructos sociais tudo irão fazer para contrariar a vontade dos que se libertaram, apenas porque essa postura vai mexer com a sua própria sexualidade e porque é mais fácil manter-se no conforto da sociedade comum (mas ignorante) do que fazer um esforço para ver para além das grilhetas sociais impostas.
Outro passo extremamente importante é a aceitação do próprio corpo. Ser naturista é aceitar o próprio corpo independentemente da cor, formato, cicatrizes, etc. É o próprio corpo, só temos este, é nele que habitamos e se nada pudermos (ou quisermos) fazer para o mudar, então que têm os outros a ver com isso? A sociedade (novamente) instituiu o corpo perfeito e a maioria das pessoas vai abdicar do seu próprio conforto para tentar corresponder ao poder instituído, fazendo-se prisioneira de algo que nem sequer existe. Uma sociedade que busca a aceitação dos outros não pode criar ideais ou constrangimentos e por isto o Naturismo deveria ser a prática social generalizada e não o contrário. Liberte-se da imagem do inexistente corpo perfeito e viva o seu. Os outros naturistas já aceitaram o próprio corpo e irão respeitar também o seu.
Superando os seus anseios em agradar a uma sociedade que o recrimina por ser quem e como é, libertará um enorme fardo dos seus ombros e irá sentir-se imensamente mais leve, liberto das grilhetas sociais. Poderá viver a sua vida de uma forma mais harmoniosa e menos stressante. Já não viverá para agradar aos outros e à sociedade, mas viverá para si e para aquilo que lhe dá prazer e fazer isto num contacto intimo com a Natureza, sem a prisão das roupas a toldar-lhe os sentidos, será ainda mais gratificante. Acredite que se tornará numa nova e melhor pessoa do que aquilo que era antes, até mesmo porque qualquer experiência é sempre enriquecedora.
Libertar-se para o Naturismo fará com que o respeito por si e pelos outros cresça, que tome consciência de si e dos outros como indivíduos, mas também como grupo social, fará com que olhe o meio ambiente e a Natureza de uma forma mais consciente e mais harmoniosa, sentirá que faz parte de algo maior e sentir-se-á útil a esse algo maior que nós próprios. E o melhor, fará crescer a sua autoestima e bem-estar geral.
Na Associação Pensamentos ao Vento, e em particular nesta coleção de artigos, o propósito é mostrar tudo isto às pessoas. Se não conseguirmos fazer delas naturistas, esperamos pelo menos conseguir fazer com olhem de outra forma para essas pessoas que acham muito melhor viver a maior parte da vida sem roupas. Essa é também a principal razão de aceitarmos como sócios as pessoas que se despem e as que não se despem socialmente. Só nos conhecendo é possível desmistificar.
Respondendo agora à pergunta inicial, Como será viver a maior parte da vida sem roupa?, depois de tudo o foi que explanado, apenas posso acrescentar que cada um sabe de si. Aquilo que para mim é uma realidade, poderá não o ser para si e só experimentando por si próprio poderá formar uma ideia do que é viver a maior parte da vida sem roupas. Recorde-se que quem vive toda a vida na escuridão nunca vai saber o que é a claridade. No início poderá ser doloroso, mas depois não vai querer voltar a viver nas trevas.
Artigo de opinião de José Luís Vieira,
Presidente da Direção da Associação Pensamentos ao Vento (à data do artigo)
em 08/11/2018
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