Naturismo - Artigos II - Associação Pensamentos ao Vento

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Naturismo
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Artigo publicado no jornal Notícias de Cá e de Lá
Opinião
José Luís Vieira*

Quase toda a gente já ouviu falar de Naturismo e quase todos têm uma ideia generalizada sobre o que é, mas poucos sabem que Naturismo não é apenas tirar a roupa. Se fosse apenas tirar a roupa não poderíamos designar a sua prática como uma filosofia de vida.

No início do século XX, surge a primeira corrente a excluir o uso das roupas de forma fundamentada. O nudismo em contexto social e na prática desportiva ao ar livre, a alimentação vegetariana e o uso de medicinas alternativas faziam parte desse modo de vida que visava o melhoramento dos resultados académicos e desportivos. A constatação da eficácia dessa prática levou a que muitos a adotassem levando ao surgimento de comunidades naturistas e a atual designação oficial do Naturismo, como um modo de vida em harmonia com a Natureza, expressa através da nudez social, ligada ao autorrespeito, à tolerância de diferentes pontos de vista em conjunto com o respeito pelo meio ambiente, é o reflexo desse início, uma vez que inclui a prática da nudez em contexto social e tem presente a necessidade de termos cuidado com o que ingerimos, com o nosso corpo e com a nossa saúde.

À primeira vista continua a parecer que é só tirar a roupa e ter alguns cuidados e preocupações comuns a qualquer cidadão. No entanto, existe uma grande diferença entre tirar a roupa e ser naturista.

O Naturismo é uma prática social na qual as pessoas estão despidas das roupas e preconceitos impostos pela sociedade em geral, onde se procura o contacto com o que é natural, deixando de lado erotismos, exibicionismos e a visão do corpo como objeto sexual e onde o corpo é apenas o exterior do Ser Humano e para isso é necessário despojarmo-nos também das máscaras sociais. Quem tira a roupa, no máximo fica nu, ao passo que quem se despoja das máscaras sociais, fica despido. As máscaras sociais agridem a identidade do Ser Humano e compõem um modelo que permite ao outro efetuar pré-julgamentos eliminando, assim, a possibilidade de um contacto sem preconceitos. A nudez, para um naturista, e como já foi referido, é apenas o exterior do Ser Humano. Ao conviver com a nudez do próximo toma-se consciência de que o corpo não choca, não agride, que o respeito é possível mesmo sem dissimulações. Ao conviver com a própria nudez entramos em contacto com a própria essência, deixando para trás tudo o que é acessório. Ao abandonar a roupa, percebemos que, apesar das diferenças, somos todos iguais. Surge uma nova forma de ver e sentir a realidade em redor e atinge-se a perceção de que somos parte de algo maior. Tudo isto faz o Ser Humano crescer e o Naturismo torna-se saudável e enriquecedor.

O Naturismo pretende mudar a visão distorcida do Ser Humano em relação ao próprio corpo. O Naturismo procura enfatizar que para sermos mais humanos e sensíveis, antes de mais nada, devemos aceitar o nosso próprio corpo de uma forma natural. Resgatar o próprio corpo e redescobrir a vida em plena comunhão com o outro e com a Natureza é a finalidade do Naturismo.
O Naturismo é reeducação na medida em que denuncia os tabus e os preconceitos, a falsa moral, a hipocrisia e os valores inibidores da vida. O Naturismo cria uma nova moral ao estabelecer que todos têm direito à felicidade, que fomos feitos para sermos seres sensíveis, com nós mesmos, com os outros e com a Natureza.

Estima-se que existam atualmente cerca de 450 mil naturistas organizados. Este número revela a expressão de uma nova consciência que desperta e se manifesta em prole da vida e que pretende recuperar o corpo para recuperar o Ser Humano. E recuperando o Ser Humano será possível recuperar a Natureza.

*José Luís Vieira, Presidente da Direção da Associação Pensamentos ao Vento e autor de livros sobre a prática desportiva de lazer e Naturismo.

Artigo de opinião por José Luís Vieira, publicado no jornal Notícias de Cá e de Lá em 08/03/2018
Colocado online em 19/03/2018
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