Naturismo é muito mais do que estar nu na mata - Artigos II - Associação Pensamentos ao Vento

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NATURISMO É MUITO MAIS DO QUE ESTAR NU NA MATA
por Kinjal Dagli-Shah, em 27 de abril de 2016
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Ser mãe deu a uma mulher a coragem para gostar do seu corpo, isto quando ela de tornou naturista
Num abrasador dia de agosto, há dois verões, Andrea Alves caminhou despida por um parque com o seu filho de cinco meses enquanto o seu marido, Peter (nome fictício), foi trabalhar. Este foi o dia em que Andrea, professora do 1º Ciclo, adotou o Naturismo como estilo de vida. Uma parte disso, afirma ela, é ser “autoconfiante e confortável estando despida tanto em casa como num ambiente naturista.”

Andrea, agora mãe de dois, está a criar os seus filhos com a filosofia naturista enquanto o seu marido encolhe os ombros e segue em frente. “O meu próprio marido não participa no naturismo, mas apoia a minha escolha. Ele usa roupas ao ponto de eu lhe chamar um nunca-despido. Ele usa roupas e eu não,” refere Andrea com indiferença.

Peter Alves, que também é professor, explica a situação com uma metáfora: “Pense desta forma: A minha esposa e os miúdos gostam de sair para comer sushi, e eu não como sushi. Não tenho qualquer problema com isso, mas vou ficar em casa.”

Se ao menos a noção de ser naturista fosse tão facilmente digerida como rolos de sushi.

Andrea Alves vive a cinco minutos do Parque Naturista Familiar de Bare Oaks, em Ontário, Canadá, e desde a primeira vez ela descobriu o que era um parque naturista que ficou com vontade de experimentar. “Estava na minha lista de coisas a fazer, mas demorei dois anos a ganhar a coragem para entrar. Continuava a dizer a mim própria que iria quando perdesse peso ou quando me sentisse mais confortável com o meu corpo, e ia adiando.”
Andrea, cresceu com problemas de imagem corporal e depressão, mas encontrou a libertação no naturismo. “Costumava autoinfligir-me,” comenta ela. “Queimar-me-ia com um ferro e cortar-me-ia no abdómen porque era onde sentia que tinha gordura a mais. Também passei por uma grande depressão relacionada com a minha própria imagem.” Ironicamente, Andrea decidiu largar as roupas cinco meses depois do parto. “A impressão que eu tinha do meu corpo mudou completamente quando dei à luz. Vi o meu corpo de uma forma mais egoísta. Vi que tinha um propósito. Podia alimentar uma criança e criar um ser humano. Fez-me gostar do meu corpo ainda mais. De facto, a primeira vez que passeei despida foi depois da gravidez, quando não tinha uma imagem tão bonita, mas não me importou porque o meu corpo tinha criado algo tão bonito. Já estava mentalmente bem posicionada quando escolhi tomar o caminho do naturismo.”

Nem toda a gente no seu mundo concorda. Andrea teve de enfrentar recentemente com um avanço sexual por parte do seu cunhado que lhe pediu uma foto despida. “Ele equivocou-se porque como fui a um parque naturista, sou uma pessoa divertida e sexual que trairia o meu marido. Isto está tão longe da verdade. Tal, incentivou-me a falar acerca do naturismo e a partilhar que as suas crenças não têm qualquer relacionamento com sexo,” afirma.

Andrea sabe que as suas escolhas vão continuar a atrair controvérsia. Tem sido constantemente criticada por outros pais por publicar discussões acerca do naturismo em grupos online de parentalidade ou oferecer-se para partilhar as suas experiências e esclarecer ideias erradas. Também tem sido acusada de recrutar pessoas para o naturismo e de atrair agressores sexuais para os seus filhos. Mas isso não a incomoda. “Sou feliz em partilhar as minhas experiências, tal como estou interessada em ler os argumentos das pessoas contra o naturismo,” declara. “Não fico ofendida pelos argumentos contra o naturismo porque eu também não estava aberta ao conceito até há um par de anos.”

Como forma de parentalidade, o naturismo será provavelmente visto de forma suspeita e difamatória. “Às crianças pequenas, realmente, não são dadas muitas opções,” afirma a psicóloga infantil Jemma Helfman, que exerce no consultório da Dr.ª Joanne Cummings & Associados em Toronto, Canadá. “Existe uma série de decisões que os pais tomam por eles, e muitas delas são acerca das escolhas de vida dos pais, quer comam carne ou sejam vegetarianos ou quer frequentem uma qualquer instituição religiosa. Ser naturista é apenas uma escolha menos comum.”

Stéphane Deschênes, dona do Parque Naturista Familiar de Bare Oaks, e também naturista, diz que a maioria das pessoas que experimenta o naturismo pela primeira vez estão inseguras mas curiosas. “Chegam com uma grande dose de ansiedade que rapidamente se dissipa,” afirma. “A parte mais difícil é decidir ir e a viagem até lá. Aquilo em que acreditamos é muito mais que tirar a roupa. É uma filosofia de vida com benefícios físicos, psicológicos e sociais. Vamos para além da mera procura recreativa e promovemos o naturismo ético. Para viver uma vida naturista, a nudez é a chave para a aceitação do corpo.”

Este verão, Andrea espera acampar à noite em Bare Oaks com algumas outras famílias semelhantes. “Quero que os meus filhos tenham uma saudável e confiante imagem corporal,” afirma. “Não quero que a primeira pessoa nua que vejam seja pornografia na Internet.”

Traduzido e adaptado por José Luís Vieira a partir de http://www.sheknows.com/health-and-wellness/articles/1118251/naturism
em 07/09/2017
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